EntrevistasNotícias

Linda Capusa, Diretora de Operações da ESNA em entrevista ao Podjetna Slovenija

podjetna-slovenija-2-1

Linda Capusa, Diretora de Operações e membro do Conselho de Administração da ESNA, falou à Podjetna Slovenija sobre o mais recente Startup Nations Standards Report 2025, preparado pela ESNA, e os resultados alcançados na Eslovénia.

A Eslovénia registou o maior progresso este ano, com a implementação dos standards a aumentar 38 pontos percentuais face ao ano anterior.

©2026 Podjetna Slovenija. Todos os direitos reservados.

Entrevista Completa

O mais recente relatório Startup Nations Standards Report 2025, preparado pela Europe Startup Nations Alliance, mostra que os países europeus estão cada vez mais a implementar políticas que facilitam a criação e o crescimento de startups.

Entre os países analisados este ano, a Eslovénia destaca-se em particular. De acordo com os dados do relatório, registou o maior progresso em termos anuais. O nível de implementação dos standards aumentou em 38 pontos percentuais, atingindo os 62%.

Sobre o que significam estes resultados para a Eslovénia, onde ainda existem as maiores oportunidades de melhoria e que sinal este progresso envia aos investidores estrangeiros, falámos com Linda Capusa, da ESNA.

A Eslovénia registou este ano a maior melhoria anual. Na sua opinião, quais foram os principais fatores por detrás deste progresso?

O progresso é visível em todos os standards e, em alguns, a Eslovénia registou avanços particularmente significativos.

Um dos mais importantes é o das stock options para colaboradores. No ano passado, a Eslovénia encontrava-se a 0% neste indicador, enquanto este ano atingiu a implementação total, ou seja, 100%.

Neste âmbito, medimos três elementos-chave: se o país tem um regime específico de stock options para startups; se as empresas podem emitir ações sem direito de voto; e se as ações são tributadas apenas no momento da venda, e não no momento da atribuição. Com a nova legislação na Eslovénia, os três critérios foram cumpridos.
Também se registou progresso relevante no standard de criação rápida de empresas. Este indicador melhorou de 60% para 81%, uma vez que passou a ser possível constituir uma empresa totalmente online, sem necessidade de recorrer a um notário ou a outras entidades.

Além disso, a Eslovénia reconhece documentação de constituição de empresas proveniente de outros países europeus em língua inglesa, o que incentiva a cooperação transfronteiriça.

O progresso é também visível no standard “digital first”, que passou de 43% para 73%. Isto significa que os empreendedores conseguem realizar cada vez mais procedimentos online.



Onde vê a maior margem de progresso ainda por explorar na Eslovénia?

Apesar de ter registado o maior progresso este ano, ainda existem lacunas. A média dos países da ESNA situa-se nos 70%, enquanto a Eslovénia está nos 62%.

A maior margem de melhoria encontra-se na área da inovação na regulação, onde a implementação está atualmente nos 17%. Trata-se de uma melhoria face ao ano passado, quando estava nos 0%, mas continua a ser o standard mais fraco.

Este standard inclui três elementos principais: o princípio think small first, que implica considerar as necessidades das startups na definição de novas políticas; exceções regulatórias para startups, que ajudam a garantir condições mais equilibradas face a grandes empresas; e regulatory sandboxes, onde as startups podem testar as suas inovações em colaboração com reguladores.



Que sinal transmite o progresso da Eslovénia este ano aos investidores estrangeiros?

O progresso nas políticas para startups envia, sem dúvida, um sinal positivo. Um salto desta dimensão demonstra que o país está a implementar reformas e que os decisores políticos reconhecem a importância do ecossistema de startups.

As melhorias nos serviços públicos digitais, na rapidez da criação de empresas e nas stock options para colaboradores mostram claramente que a Eslovénia está a criar um ambiente mais favorável às startups.

Naturalmente, as decisões de investimento dependem de vários fatores, não apenas das políticas. Ainda assim, o progresso contínuo nesta área aumenta a confiança dos investidores.

É verdade, contudo, que a Eslovénia ainda se encontra abaixo da média europeia, pelo que é importante que as reformas prossigam.



Que reformas deve agora a Eslovénia priorizar?

A maior prioridade deve ser a inovação na regulação. Um dos elementos-chave são os regulatory sandboxes.

Estes permitem que as startups testem as suas inovações em conjunto com os reguladores. Quando o processo de teste é concluído com sucesso, a empresa dispõe de um produto já validado do ponto de vista regulatório e pronto para o mercado.

Este tipo de abordagem facilita também a captação de investimento, uma vez que os investidores sabem que o produto já cumpre os requisitos regulatórios.



A Eslovénia tem acesso suficientemente robusto a capital de risco para permitir o crescimento rápido das startups?

O acesso a financiamento é medido no âmbito do standard “access to finance”. A Eslovénia atingiu 56%, o que constitui um dos resultados mais baixos, embora ligeiramente superior ao do ano passado.

A média europeia é de 77%, o que indica que ainda existe uma margem significativa de progressão.

Na Eslovénia já existem instrumentos financeiros relevantes, como os fundos de coinvestimento do Fundo Empresarial Esloveno e os programas de investimento do banco SID. Uma das oportunidades de melhoria passa pela introdução de benefícios fiscais para business angels, que poderiam incentivar mais investimento nas fases iniciais das startups.



A Europa atingiu 70% de implementação dos standards. Em que áreas ainda está aquém dos EUA ou da Ásia?

Antes de mais, é importante sublinhar a tendência positiva. Esta é a terceira edição consecutiva desta análise e, todos os anos, os resultados melhoram. No ano passado, a média europeia era de 61% e este ano é de 70%. Isto demonstra que os decisores políticos europeus reconhecem cada vez mais a importância das startups.

Ainda assim, a Europa enfrenta desafios ao nível da agilidade regulatória. Para uma startup que pretende crescer rapidamente em vários mercados europeus, o enquadramento regulatório continua a ser complexo.

No futuro, um papel importante será desempenhado pela proposta EU Inc, ou 28.º regime, atualmente em preparação pela Comissão Europeia. Esta iniciativa poderá permitir uma expansão mais rápida das empresas na Europa e um acesso mais simples ao mercado único. Apesar dos desafios que persistem, é importante destacar que o espaço europeu está gradualmente a evoluir para um ambiente mais integrado e favorável às startups.

Data23 abril, 2026